segunda-feira, 5 de setembro de 2016



LIVRO:
Rimando  a História
Autora: Dulce da Silva Meira

Nas  Pegadas Da História – págs.: 13 A 17
Baseando-se em datas
E textos documentais,
Fatos dantes confirmados
E contos que são reais,
Revelam nossas raízes
E falam dos ancestrais.

Vasculhando o passado
Conseguiu-se encontrar,
Alguns registros antigos
E datas pra comprovar,
Os fatos que os antigos
Ainda sabem contar.

Concatenados os fatos,
Foi a história contada,
E sua veracidade
É por todos confirmada.
Eu a transcrevo na íntegra,
Em forma versificada.

Precisando o Brasil
Ser logo colonizado,
Por El-Rei João III,
Em lotes foi retalhado.
À gleba de Ilhéus,
Este chão foi anexado.

Quase dois e meio séculos,
Depois do descobrimento,
Criou-se um Território
Contendo o documento,
A inclusão desta terra
Ao novo assentamento.

Santo Antônio do urubu,
Paratinga nestes dias,
Era vasto território,
Muita terra possuía.
A Beija-Flor e Monte alto,
Seu domínio estendia.

No século dezenove
Por um decreto assinado,
Monte Alto se emancipa,
Sendo-lhe incorporado
O arraial Beija-Flor
De urubu desmembrado.

Ao longo desta história
Faz-se pouco comentário,
Dos primeiros moradores,
Grandes latifundiários,
Da Fazenda Carnaíbas
Primeiros proprietários.
A fazenda em destaque
Assim se constituía:
A Carnaíbas de Fora
Que aos Castro pertencia,
E Carnaíbas de Dentro
Onde a Vila surgiria.

Foi João Pereira Costa
Primeiro desbravador,
Da Carnaíbas de Dentro,
Fazendeiro agricultor,
E da feira semanal
Grande incentivador.

Contam os mais idosos,
Que desde a formação,
Beija-Flor já era palco
De brigas e diversão.
A fama dos desordeiros
Trouxe má reputação.

Sem um policiamento
Para o ordem assegurar,
Nos conflitos tão frequentes
Chegava-se a matar,
E raramente o culpado
Conseguia-se flagrar.

É que aqueles desordeiros,
Pra outro lugar fugiam.
Trabalhavam algum tempo,
Noutras brigas se metiam,
E botando pé na estrada
Para mais longe partiam.

Lá na terra bandeirante
Chegavam os bagunceiros.
Neles a índole má,
Sempre falava primeiro,
Sendo por isso chamados
Baianos arruaceiros.

Por pouco se irritavam,
Desaforos não engoliam.
Eram também vingativos
E p”ra desforra partiam,
Assim que os contendores
Em suas frentes surgiam.

Também deixava a terra
O pobre trabalhador,
Mas o conceito formado
Do baiano brigador,
Dificultava serviço
Pra pobre de Beija-Flor.

Não eram só os humildes
Que em briga se metiam.
Pessoas conceituadas
Também matavam, morriam,
Mesmo tendo em serviço
Jagunços que os defendiam

O pobre era chamado
Pau-d’água ou cachaceiro,
Malandro ou vagabundo,
Bandido e bagunceiro.
Do crime era o autor,
Por não possuir dinheiro.

Quantos perderam a vida!
Quantos foram espancados
A mandado dos senhores
Homens valentes e bravos,
Que tinham a seus serviços
Os jagunços e escravos.

Apesar de ter má fama,
Baiano de Beija-Flor,
Das agruras desta vida,
Sempre foi um vencedor.
Como todo sertanejo

É forte e trabalhador.


“Onde cai a semente, fixa a raiz”  pág.: 18 a 28

José Dias Guimarães
A terra amada deixou,
Vindo para a Bahia
Onde raízes  fincou,
E neste nosso sertão,
Fazendeiro se tornou.

Era um português nato
E o oceano cruzou.
Buscando dias melhores
Nas matas se embrenhou,
E qui nestas paragens
Muita terra conquistou.
Fou em Urubu de Cima,
Que José Dias passou,
Uns anos de sua vida
Quando ao Brasil chegou,
E uma índia bororó
Sem demora desposou.

Nasceram seis mamelucos.
Somente dois são lembrados:
Joaquim que doou a terra,
José Pedro implicado,
No mais hediondo crime
No seu tempo praticado.

Em vida o velho pai
Um pedido lhes fazia:
Conservar no lugarejo
Quem ali já possuía,
Um casebre pra morar
E humildemente vivia.

O português imigrante
Desbravador pioneiro,
Deixou a seus descendentes
Seus legítimos herdeiros,
Tudo quanto conquistou
Neste solo brasileiro.

Ao fazer-se a partilha,
Sem haver oposição
Joaquim por ser mais velho
Recebeu em seu quinhão,
Terras onde situava
A nova povoação.

Na década de setenta
Do século dezenove,
Atendendo ao pedido,
Um fato novo ocorre:
Joaquim Dias Guimaraes
Doar a terra resolve.

A ocorrência se deu.
Em dias duma missão,
Lavrando-se um documento
Fazendo a doação,
Das terras adjacentes
À casa de oração.

De mil metros foi a área
Doada naquele dia,
Da fazenda Carnaíbas,
Que então lhe pertencia,
Ao milagroso Antônio
Para a nova freguesia.

Esta terra promissora
Sempre acolhia alguém,
Que vindo de outras plagas
Pra viver aqui também,
Construía seu casebre
À direita do Belém.

O riacho temporário
Só poucos meses corria,
E na época das chuvas
A lagoa abastecia.
Mas nos meses de estiagem
Pouca água ali se via.

Crescendo a população,
O consumo aumentava.
Diminuindo o volume,
Salobra a água ficava,
 Não servindo para tudo
Pois impura se tornava.

A partir do mês de julho,
Em difícil caminhada,
Água que fosse potável,
Tinha que ser apanhada
Na fazenda Caiçara,
E noutras áreas privadas.

Em cabaças, potes, latas,
Pouca água se trazia.
O constante vai-e-vem
Parecia romaria,
Indo do alvorecer
Até terminar o dia.

Os homens sempre mais fortes
Duas latas carregavam,
Penduradas em um pau
Que no ombro colocavam.
Com passos cadenciados
As latas equilibravam.

Tentando amenizar
Dos pobres o sofrimento
Joaquim e companheiros
Comungam o pensamento,
De evitar da lagoa
Um maior escoamento.

Aprovada a ideia
Encontrada a solução,
Duma tapagem de terra
Teve início a construção
Dando oportunidade
Do povo ganhar o pão.

Um coronel lamentou
No problema ter pensado,
Depois de passar um ano
Que o negro escravizado,
Pela Princesa Isabel
Tinha sido libertado.

Dos quatro cantos da vila
Gente às pressas vinha,
Trabalhar de sol a sol
E por pagamento tinha
Um quarto de rapadura
E um litro de farinha.

Dentre os trabalhadores
Uma jovem se achava,
E a gamela de terra
Na cabeça carregava,
De fraqueza desmaiou,
Em jejum se encontrava.

Levantaram-na do chão,
Deram água pra beber,
Enquanto um ex-escravo
A todos fazia ver,
Que o ganho de um dia
Não dava para comer.

“Querem mata nois de fome!
Quem recrama tem razão
Vamo pará o trabaio
Oceis concorda ou não?
Nois diz pro encarregado
Ir avisá o patrão.”

Ciente do ocorrido
Joaquim Dias convocou,
Todos os interessados
E o fato relatou.
Depois de muito pensar
A situação contornou.

Ao procurar solução
Pra o serviço não parar
Alguém lembrou dos caboclos
E sugeriu sem pensar:
“Muito fácil se resolve,
Põe caboclos no lugar”.

3/4 Os caboclos não trabalham.
Retrucou um dos presentes,
3/4  Mas também não incomodam.
Disse Joaquim num repente.
3/4  Não queiram importuná-los
Deixem em paz essa gente.

O porquê da veemência
Com que Joaquim defendia,
Deve-se a uma cura
Ocorrida certo dia,
Quando um ente querido
Em sangue se esvaia.

Um caboclo curandeiro
Foi por Joaquim chamado,
Porque seu filho Vicente
Por jararaca picado,
Muito mal se encontrava
E inspirava cuidados.

O caboclo prontamente
Ao chamado atendeu,
E um preparo de ervas
A Vicente logo deu,
E invocando tupã
O ferimento benzeu.

A partir daquele dia
O coronel se sentia,
Devedor de uma vida
O que nunca pagaria,
Pois a cura de Vicente
Ao caboclo atribuía.

Joaquim não relutou
E pra turma não parar,
Pagar o trabalho livre
Promete sem hesitar,
E As Maria de Brito
Contrata pra cozinhar.

Ao serviço sempre vinha
Muita gente apreciar,
Homens cavando a terra
Mulheres a carregar,
Não faltando Zé Louvado.
Sempre alegre a cantar.

“Louvado Santo cruzeiro
E nois que vai lá leva
Pedra, água, vela, frô,
Pra lá nos pé nois botá
Lovado meu pai do céu
Que a chuva vai mandá.”

Lovada todas as gene
Que aqui vem trabaiá
Que procura vê no sol
A hora de armoçá,
Lovado inhô Joaquim
O dono deste lugá.

No início do serviço
Um fato triste se deu:
Uns ganhavam a vida,
Alguém a vida perdeu.
Ser bonita e cobiçada
Foi o mal que cometeu.

Mil oitocentos e treze
Joaquim Dias nasceu,
E com Clemência Maria
Num lar feliz conviveu,
Seis filhos foram a prole
Que Jesus lhes concedeu.

Além de doar a terra,
O coronel erigiu
A primeira capelinha
Que Beija-Flor possuiu,
E também um cemitério
Pra família construiu.

Aos oitenta e seis anos
Joaquim Dias faleceu,
E sua própria família
Por muito tempo o esqueceu.
E do povo desta terra
Nem respeito mereceu.

Numa terra que foi sua,
Não puderam preservar
Os sete palmos de terra,
Onde ele foi repousar.
Lá não se acende velas,
Lá ninguém via orar.

A família omitiu-se,
E espertalhões invadiram
A área do cemitério,
E casas lá construíram.
Mais tarde da Prefeitura
Documentos conseguiram.

Leocádia, A santa do Povo
Págs.: 29 a 45

O adágio diz que os pés
Levam o corpo à sepultura.
Tentando ganhar a vida,
Uma pobre criatura
Teve a vida ceifada,
Por conta da formosura.

Num seca prolongada.
Por todo este sertão,
Como muitos uma jovem
Tomou uma decisão:
Deixar os entes queridos,
Sair prá ganhar o pão.

Deixando o seu casebre
No Tanque de Juazeiro,
Resolveu ir para a Vila
Prá ganhar algum dinheiro,
Sem saber que o destino
É às vezes traiçoeiro.

Dos pais recebeu a bênção
E a todos abraçou.
Com Dionísio Carreiro
No carro se acomodou,
E na curva do caminho
Mais uma vez acenou.

Olhos fitos na estrada
Sem contudo nada ver!
Desligou-se do presente
E passou a reviver
Momentos dantes vividos,
Que lhe causaram prazer.

Prá começo de conversa,
O preto foi perguntando:
- Vosmecê, já foi na Vila?
- Inhor não. E tô vexano,
Pru mode qui tia Joana
Desdonte tá esperano.

Na rua das Sete Portas,
Em casa de uma tia
Leocádia hospedou-se,
E não pensou que podia
Causar inveja, ciúme,
Que tão cedo morreria!

Dezesseis anos apenas!
Uma flor ainda em botão!
Alvo de tantos olhares
Por maldade ou atração,
E com mentiras forjaram
A sua condenação.

Cabelos castanhos, lisos,
Sobre os ombros caídos,
Pele clara, belo rosto,
Lábios de pouco sorriso,
Olhar suave e triste
De quem muito tem sofrido.

Aqui chegou Leocádia,
Prestes a iniciar
O serviço da lagoa
Que visava represar,
Maior volume de água
Para mais tempo durar.

Com adultos e idosos
Leocádia se fichou,
Prá um trabalho pesado
Que antes não praticou.
E por estar em jejum,
Certa manhã desmaiou.

Com a gamela caiu
E alguém a socorreu.
Tentando reanima-la,
Um copo dágua lhe deu
Disse ter tido tonturas,
E que a visão perdeu.

Um formigueiro humano
Naquele local se via.
De fraqueza e cansaço,
Em suaor se exauria,
Mas  ao ouvir Zé Louvado,
Até que se divertia.

Baixo, magro, de cor clara,
Cabelos despenteados,
Mais ou menos trinta anos.
Não era mal humorado,
Não dava respostas bruscas,
Assim era Zé Louvado.

Na rua das Aroeiras
Vivia sem trabalhar.
Pelo Povoado andava
Sem malefícios causar,
E improvisava versos
Prá ladainha entoar.

“Lovado Santo Antõe
E o Pade de Catité.
Sá Maria das Oveia
E todos os coroné,
Na rua das Sete Porta,
Lovada seja as muié.”

Entre homens e mulheres
Leocádia trabalhava,
E embora maltrapilha
Um coronel a fitava.
E por pena ou interesse
Um vestido lhe ofertava.

Muito tímida e receosa
À tia quis consultar,
E com seu consentimento,
O vestido foi buscar
Na loja de José Pedro,
Que não a fez esperar.

O coronel José Pedro,
Irmão de Joaquim Dias
Era esposo de Raquel,
Mulher ciumenta e fria,
Que não podia sonhar
Que o marido a traía.

O Largo do barracão
Leocádia contornou.
Do balcão de umburana,
Ela se aproximou.
Cabisbaixa e acanhada,
Para o coronel falou:

- Eu vim buscar, coroné.
Diz Leocádia entrando.
-Pois bem! Até que enfim!
E para atrás se voltando,
Pegou o pano escolhido
E três metros foi cortando.

“Deus ajude o Senhor!”
Diz Leocádia ao sair,
E percebeu que dois homens
Estavam a lhe ouvir,
E que por certo iram
O que viram transmitir.

Marcolino, um caseiro,
Do coronel empregado,
Estava com um amigo,
Tião de Março chamado,
No momento da entrega
Do vestido ofertado.

Ao saírem do local,
Marcolino aproximou
Da cozinheira da turma
E de cochicho falou:
“Tu sabe que a santinha,
Um vestido já ganhou?”

Principalmente as jovens
Do boato aproveitaram,
Prá difamar Leocádia,
E tanto, tanto falaram,
Que aqueles mexericos
Na casa grande chegaram

Tentando tirar proveito,
Prá agrado receber,
Uma antiga empregada
Resolve tudo dizer,
A Raquel que de tão pálida,
Parece desfalecer.

Do serviço da lagoa
Foi Leocádia afastada,
Joaquim Dias e a esposa
Tentam acalmar a cunhada,
Que promete se vingar
Pro se sentir ultrajada.

Marcolino seu caseiro,
Que o fato propalou,
Por Raquel pressionado
O companheiro citou,
E ambos testemunharam
Como tudo se passou.

A prepotente Raquel,
Resolve chantagear,
E diz: “Quem viu e falou,
Um sumiço tem que dar.
Ou então, a José Pedro,
Direi quem veio contar.”

Sob ameaça aceitam
O delito cometer,
E o seio de Leocádia
Eles prometem trazer.
Pois Raquel quer prepara-lo
Para o marido comer.

Meia arroba de café
E vinte tostões recebem.
Numa venda falam pouco,
E muita cachaça bebem,
E quase embriagados
O mau tempo não percebem.

E saindo de per si,
Logo vão se encontrar.
E pulando uma cerca,
A janela vão quebrar,
Quando uma tempestade
Começa a desabar.

Noite erma! Nem estrelas
Cintilam na escuridão!
Um crime premeditado
Não chega à execução.
Os carrascos se afugentam
Com chuva, raio, trovão.

Frustrada a tentativa
Procuram arquitetar,
Novo plano criminoso
E procuram se informar,
Onde encontrar Leocádia
Para o fato consumar.

Bem cedo sai Leocádia
Com a roupa prá lavar,
No lajedo da Caiçara
Onde a irão encontrar,
Os malvados homicidas
Que a procuram prá matar.

No lajedo põe a trouxa,
E o embornal de comida
Pendura em uma árvore.
Ao iniciar a lida,
As pisadas de animais
São por ela percebidas.

Os carrascos observam
Se não há gente ao redor,
E vendo que Leocádia
Está realmente só,
Arrastam-na para o mato
Sem complacência, sem dó.

Recebe golpes mortais,
E o corpo ensanguentado
Cai ao chão desfalecido,
E o seio retirado.
Dentro de um embornal
A Raquel será levado.

“Pega a corda, Tião,
Qui é prá nois amarrá
A laje no corpo dela,
E no cardeirão jogá,
Se não essa desgramada
Logo, logo vai boiá.”

- A praga ficô no torno.
Isquici, não truxe não,
Mais vô pegá o cabresto.
- Pois vai correno, Tião
Se arguém vê nois aqui,
Vamo mofá na prisão.”

No século dezenove,
Ano noventa corria.
No segundo mês do ano,
Vinte e três foi o dia,
Que pelas mãos de algozes
A vingança se cumpria.

Deram sumiço na roupa,
Passando a relembrar,
Que nenhuma outra vítima
Entregou-se sem lutar,
Enquanto que Leocádia
Só fez aos Santos clamar.

Com a mente conturbada
Apressam-se em sair,
Mas a voz de Leocádia
Chorando a lhes pedir,
São ecos repetitivos
Que sempre irão ouvir.

Daquele local sinistro
Tião sai a cavalgar,
Um animal sem cabresto
Que mal pode dominar,
E dizendo ouvir gritos
Começa a alucinar.

Marcolino apavorado,
Com cautela entregou
O seio à patroa,
E logo se retirou,
Prá que ninguém percebesse
Que foi ele quem levou.

Raquel assume a cozinha
E não é costume seu.
A si pergunta a caseira:
“O que será que lhe deu?”
E espiando percebe
Que carne ele recebeu.

Ordenou que suas filhas
Antes da hora almoçassem,
E que com ela e o pai,
Na mesa, não se sentassem,
Prá que suas atitudes
Não as decepcionassem.

Estavam os dois na mesa,
Quando Raquel perguntou:
“Estava com muita fome?
E da carne, você gostou?
É o seio da vagabunda
A quem o vestido ofertou.”

Zé Pedro enfurecido,
Tenta a Raquel agarrar.
Ela sai espavorida,
Ele põe-se a vomitar,
E a criadagem atônita
Socorro vem lhe prestar.

A tia de Leocádia
Já muito preocupada,
Dirigiu-se ao lajedo
E ficou apavorada,
Quando viu em uma árvore
A capanga pendurada.

Por dois dias procurou-se
Até ao anoitecer,
Percorrendo a redondeza
Sem nenhum vestígio ver,
E já cansados resolvem
A procura suspender.

Mas logo noutro dia,
Luís tropeiro passou,
No lajedo da Caiçara
E ao caldeirão levou,
O cavalo que sedento,
Não bebeu e refugou.

Um corpo quase boiava
Numa água avermelhada,
E montando seu corcel
Luís sai em disparada,
Prá dizer que Leocádia
Havia sido encontrada.

Em casa do delegado
O veloz corcel parou.
Vicente, dono das terras,
Também os acompanhou,
E uma pinta na mão
O corpo identificou.

Ao retirarem o cadáver,
De dentro do caldeirão,
Vicente estupefato
Faz uma afirmação:
“O cabresto me pertence,
E o criminoso é Tião.”

A putrefação do corpo
Estava adiantada,
Não voltando ao arraial,
Lá mesmo foi enterrada.
Tem feito muitos milagres,
Mas não é canonizada.

Por arbustos e arvoredos,
Circundada a cova está.
Velas, flores, lhe ofertam...
E promessas vão pagar.
Pelo muito que sofreu,
Feliz no céu deve estar.

Andando sem rumo certo,
Tião sempre inquiria,
A quem se aproximasse
Para saber se ouvia,
Os gritos de Leocádia
Que clemência lhe pedia.

Procurando não ouvir,
Os ouvidos apertava,
Enquanto também aos gritos
Prá Raquel ele falava:
“Entrega o seio dela,
Mulher endemoniada.”

Indo para Monte Alto,
Foi visto pela estrada,
Andando já devagar,
Dando grito e gargalhada,
Com dois dias faleceu
Já em terras da Malhada.

Bem perto de Leocádia
Marcolino se escondeu,
E não se sabe ao certo
Com quantos dias morreu.
Pagou caro pelo crime
Tão atroz que cometeu.

Dentro da Toca do Índio
Era que permanecia,
E foi encontrado morto,
No espaço de onze dias,
Quando já se decompunha
E de bichos se cobria.

Raquel, mandante do crime,
A culpa não assumiu.
Às pressas prá Tremedal,
Com duas filhas fugiu.
Zé Pedro vendeu as terras,
E ao encontro delas partiu.

Por algum tempo, Raquel,
Ficou na terra mineira,
E de lá também se muda
Indo para Pitangueiras.
Nesta vida, foi Barretos
Sua morada derradeira.

terça-feira, 9 de agosto de 2016



Romance – Apresenta 35  capítulos. . Contexto histórico – 1720. Revolta em Vila Rica – MG.  Iintrigante história vivida pelo vaqueiro Fernão, suas aventuras e desventuras, amores e desamores com a adolescente e encantadora Sinhazinha Maria Clara. Faz uma gostosa viagem pela história de um povo. Mistura da realidade com a ficção
“Sertão de Dentro, capitania da Bahia.
História transcorre no interior baiano em uma fazenda cujo nome era Curral de Dentro.
Conseguindo fugir da repressão metropolitana, um filho de Felipe dos Santos, Fernão,  passa a viver no Sertão de Dentro, empregando-se como capataz de um rico fazendeiro, Sr. Herculano Guedes e enamorando-se de uma das  filhas do fazendeiro, Maria Clara.

Capítulo 1 -  Espólio
Vaqueiro Fernão chega do Piauí, dias de viagem, para a região do médio São Francisco, Fome, sede exaustão. Vaqueiros não descuidavam de trazer consigo animais reservas para  montaria, além de bestas para o transporte de viveres, aguardente, fumo e água. Muitas reses perdidas, as  sbreviventes definhadas, não raras vezes, abatidas ao chegar. Quantidade de 245  reses para trazer chegam 208: seca rio São Francisco Fome, moléstia.
Fazendeiro furioso com a chegada das reses. “Pensas que me enrolas com conversa fiada?”
Senzala – poucos metros da residência da fazenda. Setenta escravos, entre adultos e crianças. Alguns fábricas eram escravos, outros livres e assalariados.
Capítulo 2 - Bastardo
Curió – filho de Sr. Herculano com Rosalina.
 Rosalina –   mulher digna, altiva e muito bela, se comportava como verdadeira dama, despertando especulações de sua relação com o patrão. Mãe de Curió. Flagrada com Sr. Herculano, foi conduzida ao tronco e surrada. Enxotada da fazenda a dentes de cães. Três anos mais tarde reconduzida à fazenda. Trouxe um bebé, que cresceu, seu nome: Curió.
Capítulo 3 – Tropa de Descimento
Dezembro, inverno, 1723.  Na impossibilidade de tanger o gado para os mercados do litoral e mineiro. Os vaqueiros e fábricas além da responsabilidade da vigilância e cuidados com as reses ficavam com o engendro de chapéus, chicotes, gibões, peças de vestuário, couraças para cavaleiros. Faziam cintos, coldres, guaiacas e selas. Mestres coureiros faziam baús, canas, canastras e biomos.
Passam na fazenda uma leva de 70 indígenas em estágio bravio ( homens, mulheres, crianças) – tropa de descimento -  acompanhados de jesuítas e 7 homens fortemente armados. Queriam alimentação.
Capítulo 4 – A sinhazinha
Sinhá Amélia, esposa do dono da fazenda Sr. Herculano, chega de Salvador com as  filhas – Teodora, 07 anos,  Isabelita, 12 anos,  e Maria Clara  , 17 anos,  acompanhadas de 6 dúzia de escravos e uma escolta de 8 homens, munidos de punhais, facões, mosquetes, garruchas e farta munição.  Maria Clara é a sinhazinha.
Capítulo 5 – A suçuarana
O fábrica Benjamim foi devorado pelas garras  de uma enorme onça suçuarana. Fernão não matou a suçuarana, pois passou na sua cabeça todo o filme sobre a sua vida. Resolveu dá um susto no animal.
Capítulo 6 – A Vila
Fernão acompanhou a família para a vila Brejo do Limoeiro. Modesto povoado. Uma centena de toscas casas, a maioria de sapê, coberturas de palhas. Em derredor mais de duas dezenas de possantes casarões e sobrados. Outros que estavam presentes nesta viagem: Curió, Muçurana e duas escravas domésticas.A filha do juiz de paz, Sinhá Mocinha viu o vaqueiro Fernão e apontou para Maria Clara, dizendo que ele  era interessante. Maria Clara ficou pálida, trêmula. Sinais que indicam a reação que tinha ao ver o vaqueiro.
Capítulo 7 – A Bandeira
Tropa de sertanistas que saíram de São Paulo de Piratininga há 4 meses. Composto por líder – Cabo da Tropa – acompanhado  de seus filhos, parentes e agregados, capelão, dezenas de presas tapuias – “línguas travadas”. Rudes senhores traziam atados por correntes cordas e varas de bambu dezenas de silvícolas, alguns nus, outros trajando rotas mantas de algodão cru.  Eles vivem sem lei, governo ou religião. Judiação com  milhares de índios bravos. O cabo foi embora, sem fazer negócio com o fazendeiro a respeito da escravidão dos índios.
Capítulo 8 – Impressões
Conversa de Fernão com Maria Clara. Impressões dos dois. Maria Clara fica desconcertada com o vaqueiro de modos finos.
Capítulo 9 – O Palmarino
Vaqueiros, fabricas e escravos se aqueciam, proseavam e cantarolavam ao redor de uma fogueira. Contavam causo e  ou história real. Muçurana conta um causo verdadeiro  que viu acontecer quando era moço em Alagoas. A narrativa dele tocou a todos. Muçurana continuou com um litro de pinga na mão, fitando a fogueira. Os demais foram dormir. No outro dia foi encontrado morto. Palmarino vem de Palmares, relacionado a  Muçurana.

Capítulo 10 – Desajuste
Após a morte de Muçurana. Fernão conversa com o patrão quer manda-lo para o Sertão de Cuieté – Minas Gerais do Cataguás. Fernão não aceita a ordem, diz que sentia mal só de pensar em ir. Falam em acerto de contas. Sinhá Amélia questiona ao esposo que Fernão não tem modos de vaqueiro. Sr. Herculano fica curioso com a observação da esposa.
Após uma semana de sua saída da fazenda Curral de Dentro. Fernão recebeu a visita do ex-patrão na casa que alugara do juiz  Epitácio Moreia. Sr Herculano faz contra proposta. Fernão  não aceita. Sinhá Mocinha conversa com Sinhá Maria Clara, dizendo  que esta ama Fernão mais do que ela. Maria Clara vai embora atordoada.

Capítulo 11 – Revelações
Fernão recebe um bilhete de Sinhá Mocinha convidando para uma conversa reservada. Mocinha aborda sobre Maria Clara, indagando a Fernão sobre o relacionamento dos dois. “Se conhecem? Se falam?”  Fernão diz que nem a percebia. Mocinha diz que o ama, mas que percebe que ele, não. Será que não amaria outra mulher?

Capítulo 12 –Incógnita
O fazendeiro Herculano leva o padre para que sele a amizade entre ele e Fernão. O fazendeiro quer que Fernão retorne ao emprego da fazenda. Fernão diz sobre o gado a que tem direito.  O fazendeiro oferece  um pedaço de chão e 3 a 4 escravos de empréstimo para gerir o negócio . Fernão escolheu Cansação. O fazendeiro rendeu-se ao pedido. O fazendeiro queria Fernão devido a  sua habilidade e astúcia nos negócios e devido a curiosidade da sua origem.
Capítulo 13 – Acerto
Acerto de 50 hectares com pastagem formada e boa água,  o negro Cansanção e mais dois escravos Policarpo e Zé Coqueiro.  Escravos e a terra são de empréstimo. Quando sair, devolver.  Foi combinado o acerto. Dado uma semana, para que Fernão organizasse o seu pedaço de terra. Depois viajaria para Maranhão.
Capítulo 14 – Piquenique
Maria Clara desejava retornar a Salvador, para que assim não visse Fernão. As duas filhas menores do fazendeiro refletem que Curió parece com o pai delas. Maria Clara fica nervosa, com as duas irmãs, pede que pare com sandices. Entretanto a própria Maria Clara já tinha observado a semelhança física, o jeito de andar e a voz.
Capítulo 15 – Suspeita
Sinhá Maria Amélia preocupada com Maria Clara que quer retornar para Salvador, por causa de Fernão. Sr. Herculano suspeita que Fernão não foi sincero quanto a morte do gado. Morreram mesmo?
Capítulo 16 – Furto
Fernão descansa com os companheiros no percurso da viagem de retorno do Maranhão. Fica de sentinela Jorge Soba. Ele viu o embornal de couro pertencente a Fernão. Deparou no seu interior com um punhado de moedas de ouro e prata. Fugiu, furtando o embornal. Procuraram, mas não encontraram.
Capítulo 17 – Regresso
Chegaram no período da tarde do dia seguinte ao furto. Maria Clara encontra Fernão e oferece café. Sr. Herculano só apareceria no dia seguinte. Maria Clara comenta sobre o que Mocinha falou a respeito de Fernão. Fernão fica enraivecido, mas não confessar nada sobre si.

Capítulo 18 – Infortúnio
Fernão conta a Herculano sobre o furto de Jorge Soba.

Capítulo 19 – A força do amor
O furto contribuiu para ampliar as desconfianças do fazendeiro Herculano. Maria Clara e Fernão encontram escondidos como o apoio de Curió.  Apaixonam-se juram lutar contra tudo e contra todos. Maria Clara confessa à Sinhazinha sobre o seu amor. Sinhazinha a ajuda, afirmando que não tem mágoa, pede que entregue a esse amor sem restrições.
Capítulo 20 – Suspeição
Bastião Cariri fala para Fenão sobre a prosa reservada que teve com o patrão. Fernão encontra com Maria Clara em uma gruta. Fernão muito chateado com a desconfiança do patrão.
Capítulo 21 – Revelação
Herculano foi a Piauí. Fernão e Maria Clara têm mais oportunidades de ficar sozinhos. Sinhá Maria Amélia percebe a conversa dos dois. Ela chama a sua filha e indaga o porquê da conversa.  A mãe proíbe a filha de conversar com o vaqueiro. Maria Clara  enche de obstinação com a consciência dos desafios que havia de enfrentar.

Capítulo 22 – Intuição
Encontro de Maria Clara e Fernão. Os dois namoram. Maria Clara pergunta sobre a tristeza de Fernão em dias anteriores. Maria Clara queixa sobre a falta de transparência. Fernão chega a sua casa. Conclui que o fazendeiro Herculano foi a Piauí realmente para investigá-lo.
Capítulo 23  - A rebelião
Fernão foi intimado para uma conversa com Sinhá Amélia. Sinhá Amélia solicitou que Fernão fosse à vila Brejo do Limoeiro, no armarinho. Fernão pensou que com isso poderia conversar com Mocinha. Fernão confessou a Sinhá Mocinha sobre a sua vida:
Fernão filho de pais portugueses do sertão de Cuieté. Os pais foram seduzidos pelo mito do Eldorado. O pai de Fernão tornou-se  um abastado minerador, fazendeiro, condutor de bestas, isto é, tropeiro.
O pai foi líder pela extinção das Casas de  fundição, redução dos impostos, eliminação do monopólio de vários produtos de consumo e pelo fim da opressão fiscal e administrativa da Coroa. Por isso, o pai foi preso. Preso e enforcado. Outros líderes foram presos. A família de Fernão perdeu tudo o que tinha.  Todo o patrimônio confiscado pela Real Fazenda.  A casa foi transformada em ruínas. Os amigos viraram as costas. Fernão pensou em suicidar.

Capítulo 24 – O partido
O fazendeiro Herculano chega. A esposa e filhas o recebem. Chegou com a proposta de casar Maria Clara com o primo Alonso. Maria Amélia comenta para a filha sobre a proposta do marido. Maria Clara argumenta contra a proposta.

Capítulo 25 – Confidências
O fazendeiro sabe do juiz que Fernão é filho de Felipe dos Santos. O fazendeiro considera que Fernão o roubou. Fernão está namorado Maria Clara na gruta. Ele resolve falar da sua vida. Entretanto, Maria Clara teria que ir embora, pelo motivo que o pai chegaria da Vila.

Capítulo 26 – Incumbência
O fazendeiro pretendia fazer uma emboscada para Fernão, no intuito de recuperar o gado e o dinheiro, que ele propunha como roubo do vaqueiro. Herculano chama Domingos para tentar descobrir sobre furto de Fernão. Não encontraram nada.

Capítulo 27 – Trunfo
O índio Bastião Cariri conta para Domingos sobre o namoro de Fernão e Maria Clara. 
Senhor Herculano  suspeitava do desvio de gado e dinheiro da fazenda por Fernão.
Domingos inimigo de Fernão queria ser o capataz.

28 – Fuxico
Três meses se passaram desde que Sr. Herculano  prometera conceder  o ofício de capataz a Domingos. Falta de provas. Domingos decidiu recolocar “lenha na fogueira”. Quando Domingos resolve fazer o fuxico, Sr. Herculano pergunta quem falou , ele menciona o nome de Bastião Cariri.
Em síntese, Bastião Cariri resolve deixa para todo o sempre as paragens do Sertão de Dentro, com destino a áreas de cerrado.
Sr. Herculano  conversa com Sinhá Amélia sobre suas desconfianças. Curió é chamado, mas desmente qualquer envolvimento. Bastião Cariri fugiu da fazenda. Sr. Herculano começa a desconfiar de Domingos, pois a acusar Fernão, iria favorecer a ocupar o posto que ele tanto almejava.
Capítulo 29 – Flagrante
Os dois namorados  à beira de uma gruta, onde costumavam encontrar, foram flagrados.  Fernão foi surrado e enxotado da Fazenda a golpes chicotes, pontapés e facão pelo vaqueiro Domingos e seus comparsas. Foi banido do emprego sem direito a nenhum tostão.
Fernão foi pedi abrigo ao juiz Epitácio Moreia. Fernão foi acolhido pelo padre Argelim, na casa da paróquia, morando com alguns dias.

Capítulo 30 – Rancho Boa Esperança
Após uma semana na casa paroquial, Fernão foi falar com o juiz. Abordou que não  houve desonra. Exigia direitos de trabalhos exercidos. Juiz abordou  que era melhor agradecer por estar vivo.
Fernão precisava estabelecer em algum lugar e sobreviver as suas próprias custas. Ele tinha alguns tostões guardados, pequena parcela do patrimônio da família que conseguiu salvar na ocasião em que confiscaram o patrimônio dos pais.  Dinheiro que  foi inteiramente declarado como pertencente ao governo. O dinheiro há anos escondido, estava enterrado na proximidade de uma maloca de pedra, num local de difícil acesso.
Fernão comprou o a fazenda do juiz, fazenda com o nome  Suçuarana Malhada, foi rebatizada por  Sítio da Boa Esperança.

Capítulo 31 – Sugestão Indigesta
Maria Clara será enviada para Salvador.

Capítulo 32 – Despedida
Antes da viagem, a família Guedes rumou à vila Brejo do Limoeiro. Sinhá Mocinha indaga a Maria Clara.   Maria Clara solicita que avisa a Fernão que o amara para todo o sempre, ainda que não o veja mais. Ela seguirá para Salvador, entretanto não distanciará da imagem do amado.

Capítulo 33 - Comprometimento
Após a viagem da família para Salvador, chegam á fazenda o cunhado de  Herculano ,Sr. Bonifácio, a irmã Sinhá Ana Beatrix e o sobrinho  Alonso. Após dois dias, a família vai à vila Brejo do Limoeiro. Juntos, portanto, família Cavalcante e Moreia. Alonso apaixona-se por Sinhá Mocinha,. Ele a pede em namoro.

Capítulo 34 – Proposta
A família Calvacante vai para Salvador, um dos objetivos encontrar  a família Guedes. Consegue realizar o encontro. Sr. Herculano preocupado  com o império patrimonial Guedes-Calvacante, faz a proposta de realizar o casamento de Maria Clara e Alonso.   Casamento por interesse da família. Alonso confidencia a Sinhá Maria Clara do seu amor por Sinhazinha.

Capítulo 35 – Juras ao Crepúsculo
14 de abril de 1767. Mais de 40 anos da separação dos namorados. Fernão encontrava-se ainda perseverante, em sua  fazenda Boa Esperança, a esperar obstinadamente, o retorno de sua amada. Neste dia , estava na varanda  com olhos escanchados no vazio, paginava e revolvia cada lance de sua trajetória no Sertão de Dentro. Quando lembrava, viu chegar uma liteira, que tinha uma pequena leva de escravos e uma irmã.
A irmã pretendia falar com Fernão. A irmã remove o véu, revelando a face de Maria Clara.
Ela conta toda a história do que foi a sua vida, após a separação dos dois. Resolveu não aceitar a imposição do pai de fazê-la casar com o primo. Decidiu assumir a vida religiosa por um tempo. Entretanto, enquanto esperava a poeira abaixar, disseram que Fernão tinha casado. Ela desabafa que realmente não teve forças para lutar pelo seu amor.
Fernão ao contrário, envelheceu com o seu amor e com a esperança. Amava Maria Clara com a mesma intensidade de quarenta anos atrás.  Ela casou-se com a profissão de fé. Não queria ficar mais com o amado.
No final, vendo o  sol se por, acontece juras de amor que transcenderá a materialidade, havendo de ser para todo o sempre. Os dois abraçam, ambos mudos e estatelados até serem tragados pela escuridão.